Abordagens museológicas e caminhos literários da fabulação crítica museal
Palavras-chave:
fabulação crítica, documentação, museografia, biografia de objetos, acervosResumo
Este ensaio propõe o entrecruzamento de abordagens museológicas e caminhos literários na construção de tramas que unem fragmentos históricos, ficção e poéticas como elementos basilares para estudo e elaboração de documentação e exposição de histórias humanas entrelaçadas a objetos e paisagens. Recorre-se à fabulação crítica museal como uma possível metodologia ancorada em estudos aprofundados de fontes históricas para traçar caminhos que recriem e articulem trajetórias humanas e contextos socialmente marginalizados, por meio de processos polifônicos de escrita. Sabendo-se lacunar, a fabulação crítica museal busca preencher vazios de presenças subalternizadas em museus de arte colonial, elucidando vozes abafadas pelos registros históricos hegemônicos que, muitas vezes, distorcem as versões históricas de pessoas e grupos deixados à margem. A fabulação crítica pode, teórica e empiricamente, oferecer diversificadas maneiras de retomar o passado e trazer à cena pessoas, situações, paisagens e objetos antes secundarizados nas sombras e nos refugos museais. Seguindo essa dinâmica argumentativa, o ensaio defende que a fabulação crítica pode vir a ser inspiradora da produção de narrativas museográficas que explicitem as implicações escravistas, existentes nos acervos coloniais e imperiais, a exemplo do Museu de Arte da Bahia (MAB).
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